4/26/07 02:36 pm
Onde é que a tua mente está ?
Consegues explicar ?
A ler estas palavras pois claro! Contudo é triste observar a incapacidade das pessoas em mostrar o que trazem dentro de si, as sinfonias que compõem no leve deambular do pensamento, mesmo nos momentos em que fingem ouvir o dialecto mecânico da sociedade e dos seus protocolos. Boa Tarde, como está, como foi o teu dia, está frio, está calor, beijinho, gosto muito de ti, és o meu amor, tenho saudades, hoje estou cansado, vamos sair, convidei os amigos, vou ver televisão, gosto de musica, como batatas, cumprimento, durmo, transpiro, respiro.
Não... eu sei que não dizes o que pensas, eu sei que nem conseguirias descrever metade, eu sei que tens 10 mil universos dentro de ti espalhados pelo toque desses dedos, pelo ajeitar desse cabelo, pelo navegar perdido de um olhar alheio, pelo renovar de ar anasalado com que respiras fundo. Agora conta-me, se ninguem conhece essas florestas de sandalo, esse leve vislumbrar de nevoa no amanhecer repetido de uma recordação, se ninguem testemunhou essa angústia, podes mesmo considerar que alguem te "conhece"? És assim tão só ?
Se guardas dentro de ti um mistério, acredita que o mistério será cada vez maior, à medida que dos gestos e dos momentos fores dando um pouco de ti e dessas realidades alternativas que não dominas. Dizer o que "se deve" é percorrer o rio e desaguar longe de todas as montanhas, longe de todos os vales por onde se passou, é um desaguar de apneia, de imensa solidão. De absolvta educação e asseio.
Uma profundidade branca de vazio.
Prefiro o sexo das imaginações, o penetrar aprofundado dentro da tua mente [o teu centro de prazer], e com um beijo contar-te histórias de um livro que todos os dias conta algo diferente, de um quadro mutante com outras janelas dentro de janelas, de um suave amanhecer pemanente que acompanha a rotação da terra, o apalpar dos lábios pelos lábios. Sempre com a luz acesa e o frio de uma janela aberta sobre a pele.
[- Mas isso é tudo coisas que já aconteceram.]
]- Sim, mas agora acontecem para sempre, porque somos dois.[
4/26/07 02:07 pm
Os dias correm com uma fluidez impossível de controlar, juro que não me agrada esta velocidade na vida. Eu sei, sou uma criança por pensar que noutros tempos podia abrandar tudo e adormecer nos cinco minutos em que o mundo estava perfeito, imóvel, controlado.
Não consigo escrever mais, o tempo não pára, não sei o que acontece lá fora. Desligo-me para adormecer no lento desvendar das marés.